Situação religiosa dos países atingidos pela tsunami - Indonésia

A Indonésia está localizada no sudeste do continente asiático e é o mais extenso arquipélago do planeta, estendendo-se desde o Oceano Índico até o Pacífico. Abrange cerca de 17 mil ilhas, das quais 6 mil são inabitadas. Em geral, as ilhas apresentam planícies costeiras e montanhas no interior. Densas florestas estão presentes em dois terços do território indonésio.

Mais de 212 milhões de pessoas vivem no país, tornando a Indonésia o lar da maior população muçulmana do mundo. Cerca de um terço dos habitantes têm idade inferior a 15 anos e a expectativa de vida gira em torno de 62 anos. A população é constituída de diversos grupos étnicos, alguns dos quais abrangem milhões de pessoas, e a maioria ainda não foi alcançada pelo Evangelho.

O governo indonésio é baseado na lei romano-holandesa, modificada por conceitos indígenas e por novos códigos criminais. A Indonésia travou uma amarga e sangrenta batalha contra os holandeses por sua independência, que finalmente aconteceu em dezembro de 1949. Após a queda do ditador Suharto em maio de 1988, a liberdade política começou a se tornar uma realidade para os cidadãos indonésios.

Quanto à sua economia, a Indonésia foi transformada pela produção de aço, alumínio e cimento no período de 1965-1970. Atualmente, o setor bancário indonésio é visto como vulnerável e o país possui um alto endividamento externo. Além disso, práticas não competitivas que favoreciam os interesses financeiros do presidente Suharto e seus partidários ainda estão em vigor. A força de trabalho abrange cerca de 66 milhões de pessoas, mas a taxa de desemprego está em torno de 15%. A maioria da população trabalha na agricultura e na indústria. A educação escolar primária é obrigatória e aproximadamente três quartos dos indonésios são alfabetizados. A Indonésia possui 900 universidades.

Cerca de 78% da população é muçulmana, mas há também há um pequeno número de animistas, hindus e budistas. O cristianismo abrange cerca de 12% da população.

A Igreja

O número de cristãos no país é de aproximadamente 25 milhões. A forte presença do cristianismo cresce cerca de 5% ao ano, com o surgimento de mais de um milhão de novos adeptos todos os anos. Apesar da grande hostilidade e das ações radicais de alguns grupos religiosos, muitos muçulmanos estão cada vez mais curiosos a respeito do cristianismo e abertos a receber Bíblias.

A Perseguição

A constituição reconhece o direito de escolha religiosa e a liberdade de evangelização, desde que a tranqüilidade religiosa não venha a ser quebrada. Na prática, a liberdade de escolha de religião se restringe ao islamismo, protestantismo, catolicismo e hindu-budismo. Igrejas podem ser edificadas e cursos podem ser lecionados nas escolas. Até alguns feriados cristãos são celebrados nacionalmente. Entretanto, existe um claro favorecimento aos muçulmanos. Subsídios governamentais são utilizados para patrocinar professores muçulmanos, mesquitas e escolas. Algumas vezes, os muçulmanos fazem uso da violência, destruindo escolas e igrejas cristãs. O sentimento anticristão é mais presente nas áreas densamente povoadas por muçulmanos, como o extremo norte da ilha de Sumatra.

Mais ao leste, a cidade-ilha de Ambon e outras partes da província de Molucas foram palco de recentes choques e distúrbios sectaristas. No início de 1999, quando os conflitos em Ambon começaram, no segundo dia do festival de Idulfitri,* o adolescente Roy Pontoh, de apenas 15 anos, tornou-se um dos mais jovens cristãos a morrer por sua fé em Cristo.

* N. do E.: Idulfitri é o nome de um festival islâmico realizado ao final do período muçulmano de jejum conhecido por Ramadã.

Os colegas de escola de Roy jamais esquecerão quando ele foi abordado pelos agressores muçulmanos que lhe perguntaram:

"Quem é você?"

"Sou um soldado de Cristo", respondeu Roy.

Ao ouvirem isso, os agressores amputaram seu braço esquerdo. Com a intenção de convencer o jovem rapaz a negar sua fé, eles repetiram a pergunta. Ao ouvirem a mesma resposta, os muçulmanos amputaram-lhe o braço direito. Ainda não satisfeitos, os homens tentaram forçar Roy a dizer Allahu Akbar - expressão que significa "Alá é o Maior" -, mas ele apenas respondeu:

"Pelo que sei, Jesus é o único Senhor."

Imediatamente, os agressores abriram seu estômago com golpes de faca. As últimas palavra de Roy foram:

"Sou um soldado de Cristo."

Desde então, é possível que mais de mil pessoas tenham perdido suas vidas em choques sectaristas nas ilhas Molucas. Embora um grande número de líderes e pastores cristãos também tenham sido martirizados nos conflitos religiosos locais - que até o momento não mostram sinais de trégua -, a morte de Roy Pontoh foi marcante por ele ser apenas um jovem adolescente e não ter negado sua fé em Jesus mesmo diante da morte certa.

O corpo do garoto foi enterrado próximo a sua casa. Quando a segunda onda de conflitos irrompeu em julho de 1999, deixando em ruínas mais de dois terços da cidade de Ambon, sua casa também foi destruída. A família mudou-se para uma cidade distante em Irian Jaya, onde o pai de Roy trabalha no departamento florestal.

O Futuro

Apesar da perseguição, a igreja está crescendo. Estima-se que os cristãos na Indonésia somem mais de 65 milhões em 2050. É provável também que a tensão e o recrudescimento da violência entre muçulmanos e cristãos persistam nas próximas cinco décadas.

Motivos de Oração

1. A igreja indonésia tem desfrutado de uma longa história de paz. Por séculos, cristãos e muçulmanos têm vivido em harmonia. Somente no final dos anos 90 isso começou a mudar, quando radicais incitaram a violência sectarista. Ore para que as tensões diminuam e a reconciliação seja instaurada.

2. A igreja indonésia tem colhido muitos frutos. Louve a Deus pelo crescimento da igreja cristã. Ore pedindo sabedoria aos líderes da igreja local para realizarem tanto a evangelização como o discipulado e o treinamento dos novos convertidos, a fim de que estes possam se tornar evangelistas.

3. A igreja indonésia goza da liberdade de culto. Agradeça a Deus pelo enorme testemunho resultante da celebração de datas cristãs e da construção de igrejas e escolas. Ore para que a igreja saiba aproveitar essas oportunidades com sabedoria.

4. A igreja indonésia tem sofrido intensamente os efeitos dos conflitos étnicos e das tensões religiosas. Recentemente, a Indonésia tem vivido dias de intensos conflitos e choques religiosos que resultam em inúmeras mortes e significativos danos à economia. O recrudescimento da violência contra a minoria cristã, particularmente em Java e Sumatra, já resultou na morte de pelo menos dez cristãos e na destruição de dezenas de igrejas. Ore pedindo que as tensões cessem e que os cristãos possam servir à Indonésia por meio de um ministério de reconciliação.


Estatísticas

Capital Jacarta

População212,1 milhões (36% urbana)

Área1.948.732 km2

Localização: Sudeste da Ásia

Idiomas:Indonésio, inglês, holandês e dialetos regionais

ReligiãoIslamismo 78%, cristianismo 12%

População Cristã: Cerca de 25 milhões, fatia da população em crescimento

Perseguição: Esporádica, em crescimento

Restrições: Há liberdade de culto e de evangelização.

No século XXI…Os conflitos étnicos e os distúrbios religiosos entre muçulmanos e cristãos provavelmente persistirão, e alguns poderão ser violentos e trágicos.

Nesta semana, mais de mil pessoas permaneceram em acomodações temporárias e estavam temerosas em retornar para casa após um conflito violento ter desencadeado no governo de Mamasa, na ilha de Sulawesi, na Indonésia. As pessoas começaram a fugir de suas casas em 17 de outubro, quando o conflito entre muçulmanos e cristãos irrompeu, no vilarejo do norte de Aralle, em Mamasa. A contenda originou-se da Lei número 11/2002, aprovada em abril de 2002 para dividir o governo de Polewali Mamasa em duas administrações, a saber, Mamasa e Polmas. Assim, Mamasa se associaria a uma nova província, a Sulawesi ocidental onde a solenidade inaugural foi agendada para 16 de outubro de 2004. Muçulmanos que vivem nos três diferentes bairros de Aralle, Tabulahan e Mambi, imediatamente, contestaram porque a divisão os colocaria na Mamasa onde a maioria é cristã. Os tumultos irromperam no vilarejo do norte de Aralle, em 15 de outubro, um dia antes da divisão de Mamasa se tornar oficial. Até domingo, duas pessoas foram mortas e, pelo menos, 31 casas foram totalmente queimadas. Alguns residentes afirmaram que 47 casas foram destruídas e uma mesquita e uma igreja também, foram incendiadas. O governador de Polewali Mamasa, Ali Baal, confirmou aos repórteres que mais de mil residentes do bairro de Aralle buscaram refúgio em vilarejos vizinhos. Baal disse que as contendas começaram no início da semana, quando os muçulmanos penduraram cartazes de protesto no norte do vilarejo de Aralle. Outros residentes que apoiaram a nova administração - a maioria cristãos - atacaram os opositores muçulmanos e retiraram os cartazes. Defensores da divisão também expulsaram Andi Jalilu, um líder-chave dos opositores muçulmanos, do vilarejo. Contudo, em 15 de outubro, Jalilu retornou com "centenas de defensores" para atacar os cristãos, contou Baal ao jornal Jakarta Post. Desde então, residentes fugiram em massa para escapar do conflito. Um artigo publicado pelas agências de informação, Agence France Press e Associated Press, contou que, em 16 de outubro, um homem faleceu após ter sido ferido por lanças e um jovem faleceu durante a fuga de centenas de pessoas tentando escapar dos conflitos violentos. Mais violência irrompeu em 17 de outubro enquanto, aproximadamente, 300 cristãos atacaram residentes muçulmanos, aparentemente, em retaliação aos danos sofridos no sábado. O inspetor-geral da polícia, Saleh Saaf, disse aos repórteres que dois homens que se opuseram à divisão, Suharman e Usman, sofreram sérios ferimentos realizados por facadas. Segundo o jornal Jakarta Post, Suharman, mais tarde, faleceu no hospital, Quase 400 soldados e funcionários da polícia foram enviados ao local a fim de impedir mais violência. A polícia também iniciou uma busca de doze pessoas acusadas de provocar o conflito. Em 18 de outubro, defensores do novo governo queimaram sete casas no vilarejo de Saluasin, sub-bairro de Mambi, informou o jornal Antara News. Mais tarde, naquele dia, homens armados com espadas e facões atacaram os vilarejos vizinhos -- Lingga e Uhaelano. Contudo, não houve mais relatos de ferimentos e mortes, já que a maioria dos residentes havia fugido. Aqueles que chegaram em Mambi foram abrigados por residentes do local ou receberam acomodações de emergência em um prédio de uma escola pública. O conflito é parcialmente religioso e parcialmente étnico. Mamasa é dominada por um grupo étnico ligado aos Torajans, os quais muitos deles são cristãos. Entretanto, Polmas é o lar do povo Mandar que são, predominantemente, muçulmanos. Os bairros de Aralle, Tabulahan e Mambi, no coração dos conflitos, estão localizados onde estes grupos étnicos se encontram. O povo Mandar teme a discriminação se eles estiverem sob a autoridade dos Torajans - enquanto os Torajans temem a discriminação se eles se tornarem parte de Polmas. As sementes do conflito atual foram plantadas há mais de 400 anos, quando os antepassados do povo Mandar prometeram eterna lealdade entre os povos. Aos meados da década de 1960, os Mandars foram acusados de apoiar o grupo islâmico contra o governo. A intervenção governamental incentivou desconfiança entre os Mandars e outros grupos étnicos, uma desconfiança que continua até o momento. Como resultado, os grupos Mandar e Toraja vivem em comunidades distintamente separadas, divididos por grupos religiosos e étnicos. Desde abril de 2002, quando a Lei número 11/2002 foi aprovada, a harmonia frágil permaneceu abalada. Contendas violentas por causa da criação do novo governo iniciaram em setembro de 2003, quando 200 residentes dos três bairros se opuseram e realizaram um protesto em Makassar. Em torno de 02 de outubro de 2003, defensores da divisão torturaram até a morte três residentes do bairro de Aralle e mais de mil pessoas fugiram para buscar relativa segurança no governo vizinho de Mamuju. O conflito irrompeu em julho de 2004, enquanto os aldeões obstruíram as rodovias que unem Mamasa e Polmas, paralisando o transporte e interrompendo as atividades de negócios. Hasyim Manggabarani, um líder da comunidade Mandar, disse que as diferenças religiosas e étnicas não foram a verdadeira causa das contendas. "Nem todo muçulmano se recusa a se associar a Mamasa", contou ele à revista Tempo, em uma recente reportagem. Ao invés, ele culpou as autoridades governamentais por aprovar a lei que era contra a vontade do povo. Neste ínterim, em 21 de outubro, a polícia prendeu Jalilu, um dos instigadores-chave. Eles também confiscaram 50 armas de fogo caseiras e centenas de armas cortantes, segundo a mesma reportagem da revista Tempo. Em 16 de outubro, Hari Sabarno, o ministro nos Negócios Internos, falou na solenidade inaugural da província Sulawesi ocidental e pediu que o novo governador substituto, Oentarto Sindung Moewardi, resolvesse o conflito tão breve quanto possível. Oentarto sugeriu que o estabelecimento de uma outra administração fosse formado pelos três bairros controversos, Aralle, Tabulahan e Mambi. Ele disse aos repórteres que seu primeiro alvo é encorajar os refugiados a retornarem para suas casas.