palavra salvação em hebraico é yesua que indica "largueza", "facilidade", "segurança", e que podia ser usada em toda forma de contexto e aplicação. O vocábulo grego correspondente é sotería, que envolve as idéias de "cura", "recuperação", "remédio", "salvamento", "redenção", "bem-estar". No Novo Testamento, esse vocábulo grego é usado para indicar o livramento da condenação, tendo em vista um aspecto escatológico, mas com primórdios desde a vida presente, tudo cnnsiderado de diferentes ângulos e com diferentes significações.
Dois fatores principais deveriam ser considerados: A crença quase universal dos homens em uma existência após a morte biológica, estando envolvida alguma forma de imortalidade.
os homens reconhecem que a justiça precisa ser aplicada, podendo isso manifestar um aspecto negativo, no qual é postulado algum tipo de julgamento, que deve conter alguma forma de retribuição em face dos males praticados, ou um aspecto positivo postulando alguma forma de bem-aventurança, caracterizando a existência a vida após-túmulo. Esse último aspecto é associado ao livramento do estado não desejado, bem como a outorga de bênçãos positivas, concebendo a vida em um lindo e favorável lugar, isento dos males tão corriqueiros na vida terrena. A palavra latina de onde deriva a palavra portuguesa "salvar" é salvare, que pode referir-se a qualquer tipo de salvamento, livramento etc. Salvus significa seguro, a salvo, não prejudicado, ileso, livre. No seu sentido teológico, salvar é livrar de um perigo ou mal (incluído o juízo final), juntamente com a provisão de bem-estar espiritual, definido de muitos modos nos vários sistemas religiosos. Aqueles que acreditam nessas idéias inatas, supõem que os homens naturalmente saibam dessas coisas, pois a alma é dotada de um conhecimento básico o qual pode ser perscrutado mediante a intuição. Também há os que pensam que o ministério do Espírito garante aos homens o conhecimento básico acerca da existência após-túmulo, tanto em seu aspecto negativo quanto em seu aspecto positivo. Ou, quiçá, a razão seja suficiente para sondar essas questões. Essas idéias emergiriam indistintas em nosso consciente, mas emergiriam. E todos as culturas participariam desse conhecimento básico dos fatos.
Básica a qualquer forma de crença na salvação é a fé na espiritualidade fundamental do ser humano, e, paralelamente, a sua responsabilidade. Daí porque muitos sistemas éticos estão alicerçados sobre o pressuposto de que, aquilo que aqui praticamos segue-nos para além da morte biológica levando-nos a alguma forma de existência no além.
Usualmente a salvação é associada a algum estado futuro, a uma existência após-túmulo de algum tipo bem-aventurado; e, em muitos sistemas religiosos, isso é contrastado com algum estado de julgamento e miséria. Um outro motivo universal é a crença que os lugares de julgamento, chamados hades na cultura greco-romana, como também na moderna cultura cristã (por empréstimo e influência do Novo Testamento), envolvem alguma espécie de missão remidora. Essa crença era muito forte no judaísmo do período intertestamentário, e chegou a fazer parte da tradição cristã.
Não podemos esquecer que os grandes sistemas religiosos não são homogêneos quanto a certas doutrinas, induindo essa questão da salvação. Cada uma das grandes religiões também não têm uma explicação singela para aquilo que a existência no além reserva para os homens.
Como a salvação é vista pelas religiões
A N I M I S M O Provavelmente a mais antiga forma de religião seja a animista, a qual crê na continuidade do espírito humano, que pode voltar ao mundo e abençoar ou amaldiçoar. Nessas religiões, geralmente há falta de qualquer tipo de descrição exata quanto ao estado dos mortos, além de incluírem a noção de que os mortos podem ajudar ou prejudicar os vivos. Entretanto, certo bem-estar é vinculado às vidas dos mortos bons, e isso serve de uma espécie de visão primitiva da salvação. B U D I S M O A escola hinayana do budismo não ensina a existência de uma verdadeira alma no homem, e, como é óbvio a reencarnação da mesma. Antes, estados mentais passariam de uma entidade para outra, mas cada entidade deixaria de existir por ocasião da morte biológica. Apesar disso, seus pensadores postulavam uma espécie de salvação. Sendo desejável que esses estados mentais desaparecessem totalmente, ou seja, fossem apagados como chamas, e que o Nirvana (extinção total) viesse a dominar sobre tudo. Para eles, o vazio absoluto seria a salvação. A paz total, com a cessação da existência, seria obtida mediante as obras, seguindo o indivíduo as nobres verdade daquela fé. Em primeiro lugar, seria obtido um estado budista (semelhança com Buda), e então um vácuo, o Nirvana. Já o budismo mahayana, em contraste com isso, prometia aos seus seguidores uma genuína imortalidade e bem-aventurança, tudo a ser obtido pelos mesmos meios propostos pela escola hinayana, e que seria conseguido em um céu verdadeiro, chamado Nirvana, mas ali definido de maneira diversa. A participação na natureza divina e na existência aos moldes divinos seria a salvação, atingida uma vez que cessasse o ciclo de renascimentos ou reencarnações, mediante uma vida moral e reta. Posteriormente, o budismo chegou a desenvolver uma doutrina de muitos céus e infernos, onde a alma humana poderia habitar, embora dali possa retornar para ter outra reencarnação. Mas, finalmente, uma vez obviada a necessidade de reencarnar-se, esferas de glória estariam à espera da alma.
C O N F U C I O N I S M O É essencialmente uma religião deste mundo, tal como o judaísmo mais antigo. Não obstante, a crença na existência da alma fazia-se presente, embora com idéias vagas acerca da existência no além. Uma vez que os chineses prestam grande reverência aos antepassados, é comum as imagens de Confúcio nesta religião.
S I K H S Defendem essencialmente as mesmas idéias que aquelas advogadas pelo hinduísmo devocional (teísta). Na foto, o santo cavalheiro Sikhs exibindo no seu vistosos turbante o Khanda, símbolo de sua fé.
T A O Í S M O Envolve uma distinta noção sobre o mundo do além, tendo emprestado a idéia de muitos céus e infernos do budismo. O indivíduo venceria por meio do quietismo, geralmente atrelado às experiências místicas. Na terra, vida longa e riquezas materiais são procuradas; as boas obras são recomendadas; a confissão de pecado e absolvição são ali doutrinas básicas. A devida retribuiçào pelo bem e pelo mal praticados é uma doutrina corrente. As comunidades chinesas espalhadas pelo mundo possuem seus próprios lugares de culto. Na foto, templo taoísta em Penang.
Como a salvação é vista pelas religiões J U D A Í S M O Pode-se buscar em vão no Pentateuco, qualquer explicação a respeito da vida após túmulo. Não há ali qualquer apelo à mesma, nem como advertência áquelas que não observassem à lei, nem como promessa de bem es tar no além aos que agissem correta mente. Quando o trecho de Dt 5:33 promete vida abençoada e longa àqueles que observassem os mandamentos, não há nisso qualquer indício tendo em vista a vida no além. Aquele que pusesse em prática as ordenanças do Senhor, viveria por esse motivo (ver Lv18.5). Esse texto é citado em Rm. 10.5, no contexto da salvação, embora negando que a observância dos mandamentos envolva a promessa da vida eterna. É evidente que Moisés não estava pensando na vida do após-túmulo. Não obstante, no judaísmo posterior (na época em que foram escritos os Salmos e os Profetas), esses trechos do Pentateuco foram aplicados à vida no além. A despeito do que digam certos cristãos em contrário, o judaísmo sempre foi um caminho de obras humanas, e a obediência à lei era o padrão absoluto dessas obras. Até mesmo nos Salmos e nos Profetas não há nenhuma descrição clara acerca do que estaria envolvido na vida do após-túmulo, exceto as promessas de miséria para os pecadores e a felicidade para os justos. o Sheol torna-se alí uma ameaça aos pecadores; e algum tipo de vida bem-aventurada, não bem definida aos justos. No Antigo Testamento, o trecho Dn. 12.2-3 é a mais clara passagem acerca do julgamento e da salvação. "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para a vergonha e horror eterno. Os que forem sábios, pois, resplandecerão o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, refulgirão como as estrelas sempre e eternamente." H I N D U Í S M O É uma religião na qual têm variado as idéias acerca da salvação, de um período histórico para outro. Assim, no hinduísmo védico havia noções nitidamente próprias a uma vida neste mundo, ainda que, sob forma preliminar, também houvesse crenças na existência da alma, podendo ela esperar o bem ou o mal após a morte física. Obter-se-ia o bem mediante sacrifícios. O hinduísmo brâmane veio a tornar-se bastante espiritualizado em seu caráter, prometendo a esperança de uma existência bem-aventurada no além para aqueles que pudessem desvencialhar-se dos ciclos da reencarnação, mediante atos morais e boas obras positivas. O Karma e a reencarnação são aspectos centrais nessa religião. Já o hinduísmo filosófico ressalta a necessidade do indivíduo livrar-se dos ciclos da reencarnação, buscando o descanso e a alegria na outra vida. O hinduísmo devocional (teísta) fala sobre a vida eterna no céu, na presença de Deus. Nessa forma de hinduísmo aparecem muitos céus e infernos. O indivíduo pode ir subindo de céu em céu até chegar a habitar na presença de Deus, a visão mais exaltada da salvação, segundo esse seguimento do hinduísmo. A vereda para a glória consiste, essencialmente, em fé, devoção, amor e prestação de serviço ao próximo. Essa fé tem ramificações politeístas, e a divindade, cuja a presença é buscada, é variavelmente escolhida. As principais divindades são Vishnu, Krishna, Rama, Siva e Kali, as quais são objetos de adoração por parte de diferentes seitas.
J A I N I S M O Foi uma espécie de movimento protestante dentro do hinduísmo. Ensinava como escapar dos ciclos da reencarnação, bem como passagem por muitos céus e infernos, não sendo eles permanentes. Essa religião não é muito teísta. Se ali existem deuses, eles em nada ajudam aos homens. A salvação é conseguida por meio do esforço humano e o Karma governa tudo. As três "jóias" da fé religiosa são: a fé correta, o conhecimento correto e a conduta correta. Importantes doutrinas são o ascetismo e o pacifismo. Z O R O A S T R I S M O Sempre se afastou do secularismo, como religião, e isso foi acentuando-se com a passagem do tempo. Deus é visto ali como alguém reto a qual exige retribuição e recompensa. Os homens maus serão punidos; e os homens bons serão recompensados. A salvação seria obtida por meio das boas obras. A ênfase recai sobre pensamentos bons, boas obras, boas ações até que o indivíduo venha a colher aquilo que semeou de bom ou de mau. No zoroastrismo posterior foi concebida uma personagem, Soashyant, o salvador, a fim de ajudar os homens a atingirem a salvação. I S L A M I S M O Fez fartos empréstimos tanto do judaísmo quanto do cristianismo, e surgiu em cena numa época que outros aspectos, próprios do mundo, dominavam os pensamentos dos homens. Uma das primeiras ideias dessa fé foi escapar do julgamento por parte de Allah, um juízo que consiste em chamas eternas. O caminho da salvação consiste em boas obras e conformidade com a fé religiosa islâmica, com a realização de suas provisões, ritos especiais etc. A crença também é importante para a salvação: a crença em um monoteísmo absoluto, tendo Maomé como o profeta de Allah (o autor do Alcorão), onde se fala sobre o juízo divino etc. Contudo, a salvação depende da eleição por parte de Allah, de acordo com o que os eleitos agirão como bons muçulmanos. Na serra Shira do islamismo é enfatizada a salvação por meio da fé. O após-vida (na salvação) é um lugar agradável com prazeres, lazer e bem-estar. No islã o caminho da salvação consiste em boas obras e conformidade com as leis religiosas..
Salvação no cristianismo
salvação é descrita na Bíblia como "o caminho", ou a estrada da vida, para a comunhão eterna com Deus, no céu (Mt. 7.14; Jo.14.6; At.4.12; cf. At.16.30; Hb.10.20). Essa estrada deve ser percorrida até o fim. A salvação pode ser descrita como um caminho com dois lados e três etapas: 1) O único caminho da salvação Cristo é o único caminho ao Pai (Jo.14.6; At.4.12). A salvação nos é concedida mediante a graça de Deus, manifesta em Cristo Jesus (Rm.3.24). A intercessão pelos salvos (Hb.7.25).
2) Os dois lados da salvação A salvação é recebida de graça, mediante a fé em Cristo (Rm.3.22, 24, 25, 28). Isto é, ela resulta da graça de Deus (Jo. 3.16) e da resposta humana da fé (At. 16.31; Rm.1.17; Ef.1.15; 2.8).
3) As três etapas da salvação
A etapa passada da salvação inclui a esperiência pessoal mediante a qual nós, como crentes, recebemos o perdão dos pecados (At.10.43; Rm.4.6-8) e passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1Jo 3.14); do poder do pecado para o poder do Senhor (Rm 6.17-23), do domínio de Satanás para o domínio de Deus (At 26.18). A salvação nos leva a um novo relacionamento pessoal com Deus (Jo 1.12) e nos livra da condenação do pecado (Rm 1.16; 6.23; 1Co 1.18). A etapa presente da salvação nos livra do hábito e do domínio do pecado, e nos enche do Espírito Santo. Ela abrange: o privilégio de um relacionamento pessoal com Deus como nosso pai e com Jesus como nosso Senhor e Salvador (Mt 6.9; Jo 14.7-10,13,14); a conclamação para nos considerarmos mortos para o pecado (Rm 6.1-14) e para no submetermos à a direção do Espírito Santo (Rm. 8.1-16) e à Palavra de Deus (Jo 8.31-26;14.21; 2Tm 3.15,16); o convite para sermos cheios do Espírito Santo e a ordem de continuarmos cheios (At 2.33-39; Ef.5.18); a exigência para nos separarmos do pecado (Rm 6.1-14) e da presente geração perversa (At 2.40; 2Co 6.17); e a chamada para travar uma batalha constante em prol do Reino de Deus contra Satanás e suas hostes demoníacas (2Cor.11.3; Ef. 6.11-16; 1Pe. 5.8). A etapa futura da salvação (Rm. 13.11-12; 1Ts. 5.8-9; 1Pe 1.5) abrange: nosso livramento da ira vindoura de Deus(Rm.5.9; 1Co 3.15; 5.5; 1Ts 1.10; 5.9): nossa participação da glória divina (Rm. 8.29, II Ts. 2.13-14); e os galardões que receberemos como vencedores fiéis (Ap. 2.7). Essa etapa futura da salvação é o alvo que todos os cristãos se esforçam para alcançar (1Co 9.24-27; Fp 3.8-14). Toda advertência, disciplina e castigo do tempo presente da vida do crente têm como próposito previní-lo a não perder essa salvação futura (1Co 5.1-13; 9.24-27; Fp 2.12, 16; 2Pe 1.5-11).